quinta-feira, 2 de abril de 2015

AMOR POR AMOR


AMOR POR AMOR
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AMOR POR AMOR


Eu te amo porque eu te amo, nada mais...
Não há porque te amar senão amar,
Se em teus olhos os meus têm seu lugar
Vislumbrando a áurea e os dons espirituais.
Somos o que sonhamos, ademais
Sonhaste o quanto ousara eu te sonhar.
E, ao longo já da vida, ao te encontrar,
Não fora te esquecer nunca jamais.
Porque amo, vivo só de sobreaviso,
Visto que no momento mais preciso
Irias, com certeza, aparecer.
Ou porventura não me fora a vida
A jornada confusa e inadvertida
Rumo ao meu eu profundo n'outro ser?
Betim - 31 03 2015 


sexta-feira, 27 de março de 2015

IRRITADIÇO



IRRITADIÇO
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IRRITADIÇO
Eu tenho estado a ponto de explodir,
Por há tempos andar exausto e insone.
Seguidamente, inquiro o telefone
Como buscando oráculo ao devir...
Paro e penso no quanto sei sentir:
Embora esse pesar não me abandone,
Percebo inútil que outro rei destrone
Tão-só para que o caos possa me vir.
Quando dei por mim, era madrugada.
Os meus olhos olhavam para o nada,
Enquanto a mente em vão não se refaz.
Pois sigo sem saber o que fazer,
Tudo desconhecendo ora, a não ser,
De que preciso d'um pouco de paz. 

Betim - 26 03 2015

quarta-feira, 25 de março de 2015

ESTE AMOR

ESTE AMOR
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ESTE AMOR


Por vezes amo qual eu não amasse;
Como se não sentisse isso que sinto.
E finjo não amar, ou melhor, minto
P'ra não verem amor em minha face.
Ainda que eu d'amor não me calasse,
Antes falasse, ao menos, mais sucinto!
Ao invés de feito cego em labirinto
Por qualquer vã saída eu palmilhasse...
Contudo, eu amo. Eu te amo sem razão,
Sem esperança e até sem ilusão
De que um dia esse amor faça sentido.
Sim, eu te amo... A despeito de que me ames.
E, ignorando dos sábios os ditames,
Mais saberes no amor tenho vivido.
Betim - 24 03 2015

sexta-feira, 20 de março de 2015

CIRCUNSTÂNCIAS

CIRCUNSTÂNCIAS
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CIRCUNSTÂNCIAS

Há mais amor que dor por essa vida,
Basta à gente saber olhar para ela.
Até uma hora triste assim, mais bela
Se tornará se for bem dividida.

Melhor uma alegria imerecida,
Que outra tristeza tão só quanto aquela...
Eu prefiro a manhã que se revela
A qualquer ilusão obscurecida.

Tudo muda conforme a luz lançada.
Se olharmos bem profundo para o nada,
Talvez vejamos quanto há para ver.

Por isso tenho andado junto ao abismo;
Certo que, escuridão ou cataclismo,
Estarei pronto para quanto houver.

Betim - 19 03 2015

sexta-feira, 13 de março de 2015

TRANSTORNADO

TRANSTORNADO
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TRANSTORNADO

Eu te amo, muito embora não devesse
Amar alguém que há tanto já não me ama.
Dia após dia, víamos qual chama
O amor se apagar sem que eu o soubesse.

Viver sem ti, nem vida me parece.
É só contar as horas para a cama...
Aonde o sono não vem, pois, o drama
Se me repete à boca em triste prece.

Tenho te amado andando por tormentas
Que, pesadas e grossas sobre a pele,
Caem enquanto a amargura vã me impele.

Enfim, a dor e a fúria, ultraviolentas,
No sonho de te amar -- essa ilusão! --
Tornam-se tudo que há no coração.

Betim - 12 03 2015


segunda-feira, 2 de março de 2015

ANTIGUIDADES


ANTIGUIDADES
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ANTIGUIDADES

Aqui e ali busco àquele que fui
Em deixas a este que hoje me tornei.
Não mais que escritos: Muito pouco, eu sei...
Embora possa ver quanto a obra intui.

De mim para mim, algo se institui
Como se patrimônio que me herdei
Pela magnificência d’algum rei
Cujo velho palácio, entanto, rui.

Relíquias ou memórias, guardo há anos
Para me cotejar os desenganos,
À medida que apenas envelheço.

Visto que -- nem mais hábil; nem mais sábio --
Pude me constatar lendo o alfarrábio
Em cujas letras vãs me reconheço.

Betim - 12 01 2008

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

O QUADRILÁTERO

O QUADRILÁTERO
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 O QUADRILÁTERO

Planalto de surreais ondulações
Feitas de itabirito, gnaisse e terra.
Onde houve ouro... E profundo ainda encerra
A grandeza de nossos corações.

Alto mirar os longes e os sertões
Enquanto se conquista o cume à serra.
Caminho a íngreme trilha em que se aferra
O pé ao chão; a vida às emoções...

Por isso, poeira e lágrimas nos olhos
Pondo um brilho mais forte nos olhares
A ver tanta beleza em sós lugares.

E surpreender estrelas lá aos molhos!
Quando, à noite, eu me deito n’um lajedo,
Sonhando sem dormir até bem cedo.

Brumadinho - 25 02 2015

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

TRANSEUNTES


TRANSEUNTES
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TRANSEUNTES

Quando eu de facto a vi, foi de relance:
Passava em frente e a porta estava aberta.
Era um dia quente e a vida, incerta;
Porém, lá estava eu ao seu alcance...

Personagens de página em romance
Ou, só e simplesmente, andava alerta?
Como a oportunidade que se oferta
Quando tudo parece além do alcance.

Eu a olhei ou ela que olhou para mim?
Só sei que nos olhamos e, por fim,
Vimos alguém que tínhamos-de ver.

Mas não entrei... Não soube rir de nós
Apenas dentro em mim ouvi-lhe a voz
Dizer-me a rir: -- ”Prazer em conhecer!”...

Betim - 23 02 2015

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

ESPELHO D’ÁGUA


ESPELHO D’ÁGUA
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ESPELHO D’ÁGUA

É belo, onde o palácio alto se espelha,
O modo como o narciso se debruça
Ao vento, em divertida escaramuça,
Sobre as águas d’alguma história velha.

Alvo leque à corola tão vermelha,
Suas pétalas têm algo que aguça
O olhar face à memória se esmiúça
A verdade que em tudo lhe assemelha.

Passeio pelo jardim que não possuo,
Muito embora me veja em quanto vejo
Se refletir à luz do meu desejo.

De sorte que a beleza que usufruo
Me dá sem eu ter tudo que preciso
Espelhando palácio, luz e narciso...

                          Betim - 19 02 2015




quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

BELAMENTE


BELAMENTE
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BELAMENTE 

Amar, embora há tempos me proponha:
-- “Melhor ter companhia à companheira!”
Eis a minha verdade verdadeira
Da qual não tenho orgulho nem vergonha.

Decerto uma história a ti bisonha,
Onde muita histeria faz fronteira...
Mas seja-me a memória derradeira
Quando minh’alma vã contigo sonha.

Não te quero amar por seres amável,
Sim porque quando fores mais odiável
Consiga eu ver em ti a minha amada.

Caso contrário, tu és uma amiga.
Outra cuja beleza se bendiga,
‘Inda que não me sirva para nada.

                        Betim - 10 02 2015

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

À PRIMEIRA VISTA

À PRIMEIRA VISTA
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À PRIMEIRA VISTA

Sim, eu quero te amar como se minha
Fosses por toda a vida, muito embora
Só te conheça há pouco mais d’uma hora
E sequer estivesses cá sozinha...

Chegando em ti eu nem sei porque vinha,
Mas confesso que já quero ir embora
Para, insolitamente, vermos lá fora
O quanto a tua boca me avizinha.

Se dissesse que te amo não mentiria,
Mesmo sem saber teu nome ou quem és:
Cuido que o Amor é cego ou vê de viés!

E deixo-me levar pela ousadia,
No avanço temerário onde o revés
Se oculta em luz de plena fantasia.


                      Betim - 08 02 2015

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

IDAS E VINDAS

IDAS E VINDAS 

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IDAS E VINDAS

Se quiseres que eu fique, não me mandes
Ir embora assim como quase nada
Tivesses feito p’ra eu seguir a estrada
Para após anos; para além dos Andes... 

Se fores me deixar, já não andes
Como quem não quer sair do lugar,
Na esperança vã d’eu ir te encontrar
N'uma distância que há tempos expandes.

Se não sabes que queres, não me queiras
À sombra de improváveis castanheiras
Defronte à tua casa te esperando.

Senão, tudo o que tens é tão-só ira...
A mesma que por vezes me ferira
E que me faz partir de quando em quando.

Betim - 05 02 2015

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

ÁGUA-FURTADA

ÁGUA-FURTADA 
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ÁGUA-FURTADA 

Aquela casa tem uma janela 
Que nunca vi aberta, muito embora 
O sol forte do lado cá de fora 
E a sua arquitetura a mim tão bela. 

Tantas vezes olhei fixo para ela 
E nunca vi pessoa, antes ou agora. 
Entanto, estranhamente me apavora 
Vê-la sempre fechada feito cela. 

O que esconde por seus vãos mais obscuros 
Ninguém lhe saberá fora-os-muros, 
Porquanto inescrutáveis sós segredos. 

Compreendo se esconder o que for feio, 
Mas a penumbra feita ao meu anseio 
São antes ignorâncias só de medos. 

               Betim - 01 02 2015 

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

CALOROSA

CALOROSA
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CALOROSA

Abraça-me! Abre os braços aos abraços
Há tanto que esperando te envolver.
Deixa-me, ao te tocar, enternecer
Porquanto me reténs os olhos baços.

Para o bem ou não, toma-me em teus braços,
Sob pena de jamais acontecer...
E, entregues à alegria, ousemos ser
Apenas dois ladeando breves passos.

Sigamos o caminho à nossa frente
Antes que se me torne indiferente,
Que houvesse sol ou chuva por onde ando.

E esqueça n’um instante o mal passado,
Quando em teus braços eu, aconchegado,
Cuide senão de ti cá me abraçando.

                 Betim - 26 01 2015